Escritas de Escritório

 08/02/22


A rapariga do prédio em frente


Tem um terraço com vista para a avenida

e para o prédio onde eu estou

Passa as manhãs ao Sol de pijama vestida

enquanto lê o que a Internet lhe deixou

Passeia pelo apartamento despreocupada

encostada nos parapeitos com uma caneca de loiça

Amarra o cabelo e veste uma t-shirt branca para almoçar

enquanto a amiga de óculos engarrafados está a trabalhar

O cabelo castanho curto brilha com o Sol das manhãs de Inverno

e o seu telhado envidraçado deixa a casa aquecer

De conversas simples e sorriso fácil

de costas para o mundo e para quem a está a ver

Num dia-a-dia simples e sem compromissos

aproveita a luz e o ar poluído desta cidade de enguiços



22/03/22


9:30h, seca o cabelo à janela

sente o Sol da manhã nas costas

entre núvens,

entre ventos,

entre chuvas

a camisola de lã vermelha

veste o calor da apressada manhã

enquanto corre para a cozinha

e pega na sua maçã

comida para o caminho

que será percorrido sozinho

rumo ao trabalho do dia-a-dia

deixando em casa o Sol que sentia



29/04/22


Computador ao colo

Calções e manga curta

O cabelo apanhado

No sofá da sala

O Sol ainda a pique

não entra pela fachada envidraçada

De olhos postos no trabalho

A casa acorda para almoçar

A luz do pátio chama

por quem quer respirar

Lá em baixo,

A cidade corre,

grita

A roupa seca à janela

o almoço chama

E ali vai fazendo o seu dia-a-dia

enquanto o mundo passar por ela