Decidi mudar o nome do blog
não que tenha propriamente vergonha do que escrevo, mas por já não confiar nos algoritmos da Google.
Porquê murmúrios e devaneios?
Porque achei engraçado.
Provavelmente já algum livro de auto-ajuda ou lifecoach usa estas duas palavras como título ou método, mas que se foda, finjam que fui original.
Há muito tempo que não escrevo aqui, não tenho sentido necessidade de o fazer, os problemas que aparecem, desaparecem com a mesma rapidez e as tertúlias comigo próprio resolvem a sua maioria.
Eu falo muito sozinho,
não sei se é bom, se mau, se é sinal de demência,
mas dou por mim, muitas vezes a falar sozinho,
em casa, no carro, na rua
(neste último caso, aconselho a levarem fones para não serem mal entendidos, hoje em dia a ténue linha que separa demência de uma conversa ao telefone é quase impercetível, principalmente se usarem daqueles auriculares sem fio, estilo cotonete pendurado).
A faculdade tem-me ajudado a perceber a merda de sistema que é a "sociedade",
uma espécie de rede baseada em favores e papéis assinados, que nos promete casas, carros e famílias e tenta convencer que a soma de estas variáveis resulta em felicidade.
Admito que não tenho feito muito para evitar o sistema, além de o criticar, mas quero acreditar que controlo a minha vida, apesar do sistema.
Não tenho grandes "objectivos de vida" além de viver num T0 com a minha namorada, guiar um Renault 4L (nada que a "sociedade" se possa orgulhar) e conseguir um emprego a fazer algo que gosto, mais do que a receber aquilo que gostava.
Aí é que a porca torce o rabo.
Eu não faço a mais careca ideia daquilo que gosto e tenho reparado que aquilo que gosto de fazer dura menos de 10 anos.
A rotina faz-me querer desistir.
A ideia de acordar às 8, chegar ao trabalho às 9, sair às 18 e rezar para que chegue o fim de semana,
faz-me querer continuar a estudar, o que mostra bem o estado em que as coisas estão,
eu odeio estudar,
ou, pelo menos, ser forçado a estudar.
Eu gosto de saber, de aprender e explicar,
mas o sistema força-nos a saber o que eles acham que é útil, o que nem sempre corresponde às nossas expectativas.
Eu digo que vivo apesar do sistema porque, neste momento, estou a tentar usar o sistema, em vez do contrário.
Sigo o carreiro até vislumbrar uma saída dele que me agrade,
espero que isto não dure a vida toda,
manter a consciência de que o estou a fazer dá-me alguma esperança.
Enquanto aproveito a boleia da "sociedade" vou-me instruindo,
nos próximos dois anos,
(que serão fundamentais neste processo de fuga)
vou ler alguns conselhos e experiências de quem já passou pelo sistema, de quem lutou contra ele e de quem perdeu.
Não há nada melhor para aprender do que perder
e já que outros tentaram, falharam e deixaram a sua experiência escrita, é nosso dever, aproveitá-la para não cometer os mesmos erros.
"Aprenda com os erros dos outros, pois a vida é demasiado curta para aprender só com os seus",
não sei quem escreveu isto, mas ouvi há uns anos na fiFM
Não me sinto completo ou satisfeito se cumprir os três "objetivos de vida" que mencionei há pouco, sinto-me satisfeito se, quando os cumprir, tiver outros tantos,
a felicidade vem da resolução dos problemas,
por isso não os vou evitar, vou aceitá-los e resolvê-los, para que novos problemas surjam.
Acho que não há vida sem problemas, ou, pelo menos, felicidade,
que, no fundo é a mesma coisa.