Hoje tive um dos sonhos mais elucidativos da minha, ainda curta, vida, um daqueles que fazem pensar e, de alguma maneira, olhar para o mundo de forma diferente.
O que mais estranhei neste sonho foi o facto de eu ter morrido, algo que nunca me tinha acontecido num sonho, já tinha andado lá perto, mas no momento do desastre acordava sobressaltado. Desta vez não, morri mesmo e sem saber porquê, calculo que num acidente automóvel, já que a última coisa de que me recordo é de estar no carro com mais 4 amigos (dos quais só dois consegui identificar). Gostava de ser mais preciso quanto à forma de como morri, mas a verdade é que não vi, aliás, nem me apercebi que tinha morrido, quando parecia que estávamos a chegar a casa e todos estavamos animados por voltar a ver as nossas famílias demos connosco dentro de uma sala (uma espécie de sala de espera) esbranquiçada, com muita luz vinda das janelas, que quase encandiava, mas que nos premitia vermo-nos uns aos outros, e falavamos sobre aquilo, sobre estarmos ali, como é que fomos ali parar e o que era aquela sala.
Lembro-me de pouco mais, só de ouvir uma voz, vinda de uma figura, uma silhueta apenas, para a qual olhei apenas uma vez, porque assim que me inteirei do que nos tinha acontecido os meus olhos encheram-se de lágrimas... Tudo me passou pela cabeça, como estariam os meus pais, a minha família, os meus amigos (os que realmente o são), mas pensei pouco nisso, uns segundos talvez, porque o que mais me aterrorizava foi o que eu não cheguei a fazer, as coisas que eu não disse e que queria dizer...
Afinal de contas apenas passaram 17 anos desde que eu aqui ando e se retirarmos os melhores anos da minha vida de quando era uma inocente criança, fico com cerca de cinco anos... Ora que diabo! Cinco anos é uma eternidade! E eu preocupei-me com tantas coisas que no fundo não têm importância nenhuma quando as vemos em retrospetiva e com a sensação de que não podemos fazer mais nada.
Quando "voltei a mim" já aquela voz se tinha calado, dois dos meus amigos choravam, como eu, sentados, com as mãos na cabeça, arrasados, fui ter com eles, não lhes disse nada, que poderia eu dizer? Estavamos todos no mesmo patamar...
A sala tinha duas portas, uma trancada, provavelmente de onde veio aquela figura de há pouco, outra aparentemente aberta, a porta por onde entrámos, corremos para ela os cinco e em conjunto abrimo-la, dava para uma escadaria, pequena e no fundo, o carro, onde vínhamos, intacto, sorrimos e entramos.
Não me recordo de muito mais, só de abraçar os meus pais e de conversar com um amigo, como sempre o fizemos, "como vai a escola? Então e miúdas?". Tudo parecia ter voltado ao normal, mas continuo a achar que não era verdade, afinal de contas quanto à morte não há segundas oportunidades, muito menos para cinco pessoas ao mesmo tempo... Eu via aquela "segunda oportunidade" como um sonho, um sonho quase real, mas que eu aproveitava como se da realidade se tratasse e olhava para tudo o que nesse sonho me acontecia de maneira diferente, com um brilho nos olhos, para que desta vez nada me escapasse.
Acordei.
A vida é realmente efémera...