segunda-feira, 17 de agosto de 2015

"Quando menos esperares"

Quantas vezes já me disseram isto? Nem sei, de tantas que foram... e dizem-no para todas as circunstâncias, nos casos do coração, desportivamente, na escola... sempre! Em todo o lado!
Eu sempre ignorei, ou pelo menos nunca fiz grande caso disso, mas começo a acreditar que é mesmo verdade, porque foi quando eu menos esperava, quando eu menos pensava nisso e quando menos queria pensar, que tu apareceste e cá estás tu, todos os dias, a querer que o tempo passe mais rápido só para estar contigo outra vez.
E apesar de ser quando menos esperava, acho que apareceste na melhor altura, depois de tudo o que eu passei, o que fiz...

Agora percebo como mexes comigo, como é quando alguém mexe comigo desta maneira, eu vou fazer tudo para te fazer feliz, porque é contigo que me sinto feliz.
É quando vejo o teu sorriso, quando oiço a tua voz, ou mesmo quando não os vejo ou oiço, o simples facto de saber que estás a sorrir ao ler o que escrevo que sinto que tudo isto faz sentido, que finalmente algo faz sentido.


Hoje vou-me deitar mais cedo,
para estar contigo mais depressa.

domingo, 12 de julho de 2015

Pedras da calçada

Costumam dizer que eu tenho jeito para fazer comparações, costumo encontrar metáforas para quase tudo, até mesmo para o que já é, por si só, metafórico.
Qualquer pessoa é capaz de atribuir uma metáfora para a vida, lembrei-me agora de uma: calçada.
E que boa comparação fui eu fazer, sou português, somos peritos em calçadas, em desenhá-las, torná-las mais belas, originais... Mas se a vida é feita de obstáculos seria uma calçada cheia de buracos, e é. Mas é também feita de momentos, de decisões, de pessoas, ou seja, de pedras. Porque para uma calçada são precisas pedras.
Continuando com este paralelismo, é engraçado percebermos como certas pedras se transformam, se assim o permitirmos, em calceteiros, quando para além de marcarem o nosso percurso, o moldam, para além de serem apenas pedras na calçada, se tornam figuras, imagens...
Apesar de curta a minha calçada já teve pedras que se tornam calceteiros, que alegram e alegraram a minha vida, as quais eu deixei que moldassem o meu destino e desprezei algumas, errei com algumas, e mudei-as também, com as minhas pegadas, porque temos esse efeito que não podemos evitar, o de pisar inevitavelmente as pedras da nossa calçada, a forma como as pisamos é que nos compete decidir e eu errei e errei várias vezes ao calcar mal certas pedras e tentar nem deformar ligeiramente outras. E errei das duas maneiras, por incrível que pareça, tanto pisei mal as pedras que me queriam bem, como pisei suavemente as que eram apenas mais umas no chão.
É a vida não é? É o que me tentam dizer quando eu tento ainda remediar algum sulco maior que possa ter causado. Eu digo-o também, ironicamente, mas digo-o "É a vida", como que tentando convencer-me a mim mesmo que não podia ter feito nada para o evitar e que agora nada há a fazer para o arranjar.
Eu acho que há sempre algo a fazer, sou português, temos os melhores calceteiros do mundo.
Não acho que seja uma pessoa com azar, a minha calçada tem ainda uma característica interessante, que espero nunca a vir a perder totalmente, se bem que sei que com a idade se vai denegrindo, que é a de constantemente à medida que avanço no caminho pedras novas vão aparecendo, pedras que me fazem acreditar que o caminho vai ser bom daqui para a frente, pedras que quero que se transformem em calceiteiros, algumas erradamente, talvez, mas que quero arriscar para ver como fica a figura que desenharão no chão da minha vida.
Sou um privilegiado, posso dizê-lo, porque com um passadiço tão curto já tenho o privilégio de ter belos desenhos no chão que já pisei, uns já acabados, outros que cada vez se adornam mais, cada vez me surpreendem mais, que não me desiludem, que desenham como querem e ainda me aconselham quais pedras eu devo pisar, para que não tropece simplesmente. Tento agradecer-lhes todos os dias, não simplesmente por palavras, mas sendo calceteiro dos seus caminhos também, sem a "arte e o engenho" mas com tudo aquilo que tenho para lhes dar.

Todas as pessoas que passam pela nossa vida, deixando boas ou más marcas, são pedras da nossa calçada e cabe a nós escolher o caminho mais acertado, escolher as pedras que queremos seguir e segui-las.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

O Sonho e a Morte

Hoje tive um dos sonhos mais elucidativos da minha, ainda curta, vida, um daqueles que fazem pensar e, de alguma maneira, olhar para o mundo de forma diferente.
O que mais estranhei neste sonho foi o facto de eu ter morrido, algo que nunca me tinha acontecido num sonho, já tinha andado lá perto, mas no momento do desastre acordava sobressaltado. Desta vez não, morri mesmo e sem saber porquê, calculo que num acidente automóvel, já que a última coisa de que me recordo é de estar no carro com mais 4 amigos (dos quais só dois consegui identificar). Gostava de ser mais preciso quanto à forma de como morri, mas a verdade é que não vi, aliás, nem me apercebi que tinha morrido, quando parecia que estávamos a chegar a casa e todos estavamos animados por voltar a ver as nossas famílias demos connosco dentro de uma sala (uma espécie de sala de espera) esbranquiçada, com muita luz vinda das janelas, que quase encandiava, mas que nos premitia vermo-nos uns aos outros, e falavamos sobre aquilo, sobre estarmos ali, como é que fomos ali parar e o que era aquela sala.
Lembro-me de pouco mais, só de ouvir uma voz, vinda de uma figura, uma silhueta apenas, para a qual olhei apenas uma vez, porque assim que me inteirei do que nos tinha acontecido os meus olhos encheram-se de lágrimas... Tudo me passou pela cabeça, como estariam os meus pais, a minha família, os meus amigos (os que realmente o são), mas pensei pouco nisso, uns segundos talvez, porque o que mais me aterrorizava foi o que eu não cheguei a fazer, as coisas que eu não disse e que queria dizer...
Afinal de contas apenas passaram 17 anos desde que eu aqui ando e se retirarmos os melhores anos da minha vida de quando era uma inocente criança, fico com cerca de cinco anos... Ora que diabo! Cinco anos é uma eternidade! E eu preocupei-me com tantas coisas que no fundo não têm importância nenhuma quando as vemos em retrospetiva e com a sensação de que não podemos fazer mais nada.
Quando "voltei a mim" já aquela voz se tinha calado, dois dos meus amigos choravam, como eu, sentados, com as mãos na cabeça, arrasados, fui ter com eles, não lhes disse nada, que poderia eu dizer? Estavamos todos no mesmo patamar...
A sala tinha duas portas, uma trancada, provavelmente de onde veio aquela figura de há pouco, outra aparentemente aberta, a porta por onde entrámos, corremos para ela os cinco e em conjunto abrimo-la, dava para uma escadaria, pequena e no fundo, o carro, onde vínhamos, intacto, sorrimos e entramos.
Não me recordo de muito mais, só de abraçar os meus pais e de conversar com um amigo, como sempre o fizemos, "como vai a escola? Então e miúdas?". Tudo parecia ter voltado ao normal, mas continuo a achar que não era verdade, afinal de contas quanto à morte não há segundas oportunidades, muito menos para cinco pessoas ao mesmo tempo... Eu via aquela "segunda oportunidade" como um sonho, um sonho quase real, mas que eu aproveitava como se da realidade se tratasse e olhava para tudo o que nesse sonho me acontecia de maneira diferente, com um brilho nos olhos, para que desta vez nada me escapasse.
Acordei.
A vida é realmente efémera...

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Tu

É em ti que eu penso
É o teu nome que escrevo
onde quer que eu vá
É sobre ti que eu falo
e quero falar
Só para ouvir o teu nome
outra vez
Como da primeira vez

Porque o som da tua voz
ecoa na minha cabeça
Fala!
Fala comigo
Canta, grita!
Eu quero te ouvir
Eu gosto de te ouvir
Preciso de te ouvir
Basta-me ouvir-te
para te sentir
Nunca senti o toque
da tua pele
o sabor,
o teu sabor...
o sabor dos teus lábios
eu nunca o senti
mas sinto-te a ti
todos os dias

E já nem preciso de te ouvir
Mas quando te oiço...
Ah! Quando te oiço
tudo é mais forte
os olhos brilham
a pele arrepia
os lábios sorriem...
És tu!
És tu que me deixas assim
como nunca ninguém me deixou
És tu

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Ponto de Situação

E eu continuo aqui e tudo isto continua a ser estranho para mim, bom, mas estranho.
Eu sinto que não me posso afastar de ti, não só porque não quero, mas porque não posso, porque há algo nos liga, algo mais forte que a distância que nos separa, mais forte que qualquer dúvida que eu (ou tu) possa(-mos) ter.
Porque se há coisa da qual eu não tenho dúvidas é do que sinto por ti.

E eu sei, eu sei que, para além dos que já temos, mais obstáculos vão aparecer, mais difícil vai ser vencer e sair por cima, mas eu acredito, acredito em nós, acredito que juntos conseguimos superar tudo isso.

Eu quero,
E tu, queres?

terça-feira, 21 de abril de 2015

Gosto muito palavrões

"Gosto muito de palavrões, como gosto de palavrinhas e de palavras em geral. Acho-os indispensáveis a quem tenha necessidade de escrever ou falar. Mas como sou moralista tenho uma teoria, que é a seguinte: quando se usam palavrões, sem ser com o sentido concreto que têm, é como se estivéssemos a desinfetá-los, a torná-los decentes, a recuperá-los para o convívio familiar e quando um palavrão é usado literalmente é repugnante. Dizer que "a sanita está entupida de merda." ou "tenho uma verruga na ponta do caralho" é inadmissível. No entanto, dizer que um filme "é uma merda" ou que "comprar uma casa em Massamá não lembra ao caralho", não mete nojo a ninguém.

Cada vez que um palavrão é utilizado fora do seu contexto concreto e significado, é como se fosse reabilitado. Dar nova vida aos palavrões, libertando-os dos constrangimentos estritamente sexuais ou orgânicos que os sufocam, é simplesmente um exercício de libertação.
Quando uma esferográfica pode ser "puta" - não escreve - desagrava-se a mulher que se prostitui.
Quando um exame de Direito Administrativo é fodido, há alguém, algures, deitado numa cama, que escusa de se foder.

Em Portugal é muito raro usarem-se os palavrões literalmente. É saudável. Entre amigos, a exortação "Não sejas cona", significando "Despacha-te! Não percas tempo a decidir!", nada tem a ver com a cona em si, palavra bastante feia, que se evita a todo o custo nas conversas do dia-a-dia. Ao separar os palavrões dos seus significados libertam-se! O verbo "foder", por exemplo, fora da cama quase nunca se usa para dizer "fornicar". Quando se conta uma aventura, e caso se queira ser ordinário, diz-se "fiz" ou "papei" ou "comi". Geralmente, "foder" significa "estragar", "prejudicar" ou "fazer mal". Quando o Sr. Marques da contabilidade diz que "fodeu" o Sr. Sousa do contencioso, refere-se apenas a um acerto de contas entre eles.  Pessoalmente, somente gosto da utilização "é fodido". Quando tem o sentido de "triste sorte a minha". Por exemplo, quando não se encontra uma peça sobressalente para a mota, ou se não se acerta no TotoLoto por um único número, ou se vê que alguém nos passa a frente numa promoção só porque conhece o patrão, diz-se "é fodido". Qual é o sujeito? Deveria ser a vida, mas nesse caso dir-se-ia "é fodida". Na minha opinião, a frase subentendida é algo como "é fodido um gajo andar para aí a tentar safar-se e ver que não tem sorte nenhuma". Do mesmo modo, quando dizemos "foda-se", é raro que a entidade que nos provou a intercação seja passível de ser sexualmente assaltada. Quando nos queimamos no ferro de engomar, ou quando temos visitas em casa e se acaba o whiskey, não existe, ao dizer-se tranquilamente "foda-se" qualquer intenção de mandar fornicar o ferro ou a garrafa.

Quando o verbo é usado com o sentido que tem, eu acho indelicado e grosseiro, até porque fornicar ou ser fornicado não são coisas assim tão más quanto isso. Sendo aceite que o sexo é divertido, não se percebe como é que "vai-te foder" exprima um desejo antipático. Eu acho muito mais ofensivo "vai pentear macacos" ou "vai dar uma volta ao bilhar grande!".

Os palavrões supostamente menos pesados, como "chiça" e "porra", escandalizam. São violentos. Enquanto um pai, ao não conseguir montar um avião da Lego para o filho, pode suspirar após três quartos de hora, "ai o caralho", sem que daí venha grande mal à família, um "chiça", sibilino e cheio, pode instalar o terror. E quando o mesmo pai, recém-chegado do Ikea, ou do Aki, perde uma peça para a armação do estendal de roupa e se põe, de rabo para o ar, a perguntar "onde é que se meteu a puta da porca?", está a dignificar tanto as putas, como as porcas, como as que acumulam as duas qualidades.

Se há palavras realmente repugnantes são as decentes como "vagina", "prepúcio", "glande", "vulva" e "escroto". São palavrões precisamente porque são tão inequívocos.
Para dizer que uma localidade fica fora de mão, não se pode dizer que "fica na vagina da mãe" ou no "ânus de Judas". Todas as palavras eruditas soam mais porcas e dão menos jeito. Quem se atreve a propor expressões latinas como "fellatio" ou "cunnilingus"? Tira a vontade a qualquer um. Da mesma maneira, "masturbação" é pesado e maçudo, prestando-se pouco ao diálogo, enquanto o equivalente popular "punheta", com a ressonância inocente que tem de uma treta que se faz com o punho, é agradavelmente infantil.
O sexo... O sexo como a vida deveria ser o mais simples e amigável possível. Misturar as duas coisas através dos palavrões parece-me muito saudável. Deixá-los fechados debaixo dos lençóis e atrás das portas é condená-los a uma existência bafienta que não merecem.
Por que é que uma prostituta não há-de dizer "puta de vida!" sem se ofender a si mesma? Os palavrões são palavras multifacetadas, muito mais prestáveis e jeitosas do que parecem. É preciso usá-los, para que não se tornem obscenos e propagá-los, para que deixem de ser chocantes.

É pior falar mau português do que falar mal em bom português!
Quem anda para aí a foder a língua não são os que dizem "foda-se" de vez em quando. São os que dizem "acabou de terminar..." e "eventualmente estão assegurados...".
 Se não usarmos os palavrões, livre e inocentemente, eles tornar-se-ão em meras obscenidades.
E para obscenidade já basta a vida em si."

Texto de Miguel Esteves Cardoso.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Divagar

É por tua causa que volto a escrever e é de ti que escrevo
Porque mexes comigo
Porque me fazes sorrir e fazes-me rir só de olhar p'ra ti
Porque me deixas assim, com pouco para dizer, mas como uma vontade enorme de te sussurrar ao ouvido tudo o que sinto por ti
Uma vontade enorme de te tocar e principalmente
de te sentir


Se és a tal?
Não sei...
És?
E será que existe alguma "tal"?
Não sei...
Existes?

Se há coisa que eu sei é que farei tudo o que estiver ao meu alcance por ti, para que daqui a um tempo eu possa dizer que faço tudo por nós
Eu gostava

E tu?